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  Millôr Fernandes
"Não estou aqui para fazer piada", esclareceu certa vez, sem insistir muito, o artista multitalentoso Millôr Fernandes. Um desavisado acreditaria estar diante de mais uma de suas tiradas.

O genial guru do Méier; livre como um táxi;um nome a zerar;enfim, um escritor sem estilo — não satisfeito em atribuir-se verdadeiros slogans, Millôr ainda apoderou-se de mais um, proferido em tom de crítica pelo poeta Cláudio de Mello e Souza: "O inventor da liberdade de imprensa".

Se Millôr não foi literalmente o inventor da liberdade de imprensa, soube praticá-la nas condições mais adversas e, mais do que isso, foi um criador de espaços de liberdade na imprensa brasileira: o Pif-Paf, OPasquim, suas páginas e os célebres ¿quadrados¿ de pura anarquia em jornais e revistas. Era o mais independente dos editores num momento em que uma turma de amigos podia se reunir e fundar um jornal.

Millôr foi um desbravador ao se dedicar ao cartum e à ilustração com o mesmo afinco que a tradução de Shakespeare ou Ibsen. Muito do que tomamos como natural, em termos de linguagem e abertura intelectual, na imprensa, no teatro, na tradução literária brasileira, se deve ao trabalho obstinado de Millôr Fernandes. Ia do aforismo ao haikai, da dramaturgia à fábula como quem vai à praia para jogar frescobol ¿ esporte do qual foi o inventor, aliás.

A própria Flip, com seu caráter eclético, erudito e popular, não seria a mesma sem Millôr — e não por acaso ele esteve entre os primeiríssimos convidados, na primeira edição. Na programação, Millôr dará o tom com a crítica política e a perspectiva bem-humorada, presentes em quase todas as mesas. Algumas delas terão Millôr e aspectos de sua obra como temas centrais.
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