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Claude Lanzmann confirma a participação na Flip 2011

Cineasta e jornalista francês, Claude Lanzmann se tornou mundialmente conhecido por Shoah, seu documentário de história oral sobre os campos de concentração nazista, considerado uma obra prima do cinema. Diferente de outros filmes sobre o assunto, Shoah traz apenas depoimentos de testemunhas e imagens contemporâneas, já que Lanzmann considera que qualquer forma de reproduzir a história é reviver o genocídio. “Não foi de jeito nenhum um holocausto. Foi uma catástrofe, um desastre”, disse, no início do ano, em entrevista ao The New York Times, explicando por que prefere o termo shoah (“catástrofe”, em hebraico) a holocausto (palavra originada do grego que tem conotações de sacrifício de religioso). O filme, lançado em 1985, demorou 12 anos para ser realizado e tem mais de 9 horas de duração.

A resistência ao nazismo remonta à adolescência de Lanzmann: aos dezoito anos, durante a Segunda Guerra, ele se filiou ao partido comunista. Depois da guerra, formado em filosofia pela Sorbonne, mudou-se para a Alemanha para continuar os estudos em filosofia, além de lecionar literatura francesa na Universidade Livre de Berlim. Neste período iniciou sua carreira jornalística com um artigo que revelava a persistência do Nazismo no sistema universitário alemão. Foi correspondente do Le Monde, para o qual fez a primeira reportagem de um francês na Alemanha oriental, onde entrou clandestinamente. A série de artigos que publicou desde então despertou a atenção de Jean-Paul Sartre e de Simone de Beauvoir, que o convidaram, em 1952, a colaborar com a revista Les Temps Modernes, da qual é diretor até hoje.

Como escritor, Lanzmann é o autor de um livro com os relatos recolhidos durante as filmagens de Shoah, publicado em português com o título Shoah: Vozes e Faces do Holocausto. Em junho de 2011, o francês, nascido em 1925, irá lançar no Brasil o livro de memórias A lebre da patagônia, no qual conta sobre seu papel na resistência à ocupação nazista na França, os bastidores da filmagem de Shoah e sua vida amorosa com Simone de Beauvoir, entre outras recordações que dialogam com a história do século 20.

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