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Debate Casa da Cultura

Com mediação do jornalista Márcio Vassallo, a escritora Ana Machado, a professora Flora Salles França Pinto, diretora da Escola da Mangueira, em Paraty e o educador Bartolomeu Campos de Queirós conduziram no começo da tarde de quinta-feira, dia 7, o debate sobre o Movimento por um Brasil literário. Queirós, autor do Manifesto por um Brasil Literário, deu partida ao diálogo informando que o movimento em favor de mais leitura literária na sociedade brasileira não tem metodologia, avaliações nem metas a perseguir. “Queremos a promoção de um país crítico, reflexivo, que saiba discernir a verdade da mentira. Para isso, basta de falar da importância da literatura, e vamos botar a mão na massa”, convocou.


Para a escritora Ana Maria Machado, é preciso disposição de trabalho, e a mão na massa “passa pela formação de professores que leiam. Jornalistas que leiam já ajudaria bastante” – provocou, respondendo a uma instigante frase de Cecília Meirelles, invocada pelo mediador: “As palavras estão gastas num mundo muito pensado”.
Flora França Pinto observou que “ninguém pode dar o que não tem” para lembrar que, “ao participar da Flipinha, percebemos o quanto precisamos capacitar professores e pais em bons projetos de leitura”. Na sua opinião, porém, não bastam os projetos de leitura coletiva. “É preciso estimular a leitura íntima, a intimidade com o livro”.


Ana Maria Machado fez a plateia declamar versos de Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu para demonstrar como pode ser partilhado o patrimônio cultural da poesia. “Ensinar a ler e estimular o gosto pela leitura literária é uma questão de redistribuição dessa riqueza”, afirmou. Para Bartolomeu Queirós, isso só pode acontecer num ambiente de liberdade, que não se encontra nas escolas. “É uma escola adestradora, e a literatura quer fazer a criança aprender a liberdade”, afirmou.


Para a diretora da Escola da Mangueira, “é importante pensar o aluno como protagonista e o professor como pesquisador”. Na sua opinião, a literatura é importante na escola como ferramenta pedagógica, mas tem que ser mais do que isso. Ana Maria Machado estendeu o raciocínio sobre limitações impostas ao aprendizado da leitura literária ao funcionamento das bibliotecas públicas. “Elas funcionam em horário de funcionalismo público, fecham às cinco da tarde e não abrem nos fins de semana e feriados, quando a maioria dos adultos poderia freqüentá-las”, acrescentou.


No final, o conjunto das manifestações conduziu à conclusão de que muitos esforços e reflexões já foram feitos nos diagnósticos sobre os problemas da educação. Para o movimento em favor do estímulo à leitura, é tempo de ação. O fato de que muitos professores representam a primeira geração de suas famílias a apreciar a leitura, mais do que um obstáculo, pode ser aproveitado como uma oportunidade, conforme concluiu a escritora Ana Maria Machado.

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