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foto de Daniel Anderson
Ngũgĩ wa Thiong’o

Com uma trajetória marcada pela literatura e o ativismo político, o escritor Ngũgĩ wa Thiong’o (Kamirithu, Quênia, 1938) vem ao Brasil pela primeira vez para participar da Flip 2015, que acontece de 1° a 5 de julho, em Paraty. Em junho deste ano, estreia por aqui com Um grão de trigo (Alfaguara), sobre o processo de independência do Quênia, obra lançada originalmente em 1967, quando se consagrou internacionalmente. Na ocasião da festa literária, também será publicado um volume de memórias do autor, Sonhos em tempo de guerra (Biblioteca Azul/Globo).

Ngũgĩ wa Thiong’o cresceu na região de Limuru, no Quênia, demarcada como “Terras Brancas”, de propriedade de colonizadores britânicos, onde foi vítima da violência da colonização inglesa, das guerras locais e da Segunda Grande Guerra (1939-1945), na qual os quenianos, apesar de lutarem como os soldados ingleses, foram novamente prejudicados. “Os soldados ingleses que foram para a guerra foram premiados com terras tomadas dos africanos”, disse ao The Guardian.

Como um nativo africano em um território dominado pela Inglaterra, conviveu com todas as formas de discriminação e violência impostas pelos britânicos: o apartheid, a proibição do sexo e casamento entre brancos e negros, a criação de classes sociais nos trens e escolas a partir das origens do cidadão – a primeira classe para os ingleses, a segunda para os indianos imigrantes, a terceira para os africanos.

Na escola, comparada por ele a uma prisão, foi proibido de falar sua língua nativa, forçado à circuncisão e à conversão pelo batismo na Igreja da Escócia, onde recebeu o nome James. Formado em inglês em 1963 pela Universidade de Makerere, em Uganda, estreou na literatura no ano seguinte com Weep not, Child, o primeiro livro em inglês publicado por um autor da África Oriental.

Em 1977, renunciou ao catolicismo, à língua e à identidade inglesa, abandonando o nome de batismo. A opção por escrever em kikuyu o romance Petals of Blood, sob a justificativa de que esta é a língua que seu povo é capaz de entender, o leva a ser censurado e preso. Na cadeia, como preso político, escreveu no papel higiênico o romance Devil on the cross, publicado em 1982.

Em 2006, após quase vinte anos voltado ao ativismo político, o autor retornou à literatura com a publicação de um de seus romances mais importantes, Wizard of the Crow, uma sátira política de mais de 700 páginas passada na República de Aburria, país fictício com semelhanças à terra em que o autor viveu.


Ngũgĩ em 5 datas

1938 Nasce em Kamirithu, no Quênia

1950 É forçado à conversão ao catolicismo e à identidade inglesa

1977 Renuncia à identidade inglesa e ao catolicismo. Censurado e preso por escrever em kikuyu

1992 Torna-se professor de literatura comparada na Universidade de Nova York

2006 Volta à literatura, após vinte anos, com o romance Wizard of the Crow

Na internet
ngugiwathiongo.com

facebook.com/NgugiwaThiongoAuthor

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