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foto de Walter van Dyck
O teatro britânico na Flip

A dramaturgia britânica é um dos destaques da ficção contemporânea. Representante desse cenário cultural, David Hare é um crítico voraz das instituições do seu país. Autor da trilogia Racing Demon (1990), Murmuring Judges (1991) e The Absence of War (1993), tratando, respectivamente, da Igreja Anglicana, do sistema judiciário e do Partido Trabalhista inglês, Hare estará na Flip 2015, que acontece de 1º a 5 de julho, em Paraty.

Formado em Letras pela Jesus College de Cambridge, Hare iniciou sua carreira em 1968, ano em que fundou um grupo de teatro no qual atuava como diretor. Começou a escrever para solucionar um problema em um texto que o grupo encenaria. Sua obra, porém, amadurece a partir do final dos anos 1970, quando acreditava que a Inglaterra viveria uma revolução anarquista ou, ao menos, caminharia mais à esquerda, mas foi o Partido Conservador que obteve maioria. Com Margaret Thatcher (1925-2013) como primeira ministra, começaram as reformas sociais, políticas e econômicas que desmontaram parte do estado de bem-estar social e marcaram a preponderância do conservadorismo político, que influiu na agenda do Partido Trabalhista. “Eu fiquei paralisado por quatro anos”, disse ao The Guardian a respeito do impacto das mudanças pelas quais passou seu país.

Com 45 anos de carreira como dramaturgo, Hare, nomeado cavaleiro em 1998, escreveu mais de vinte peças marcadas pelas questões sociopolíticas que atravessaram a história da Inglaterra nos últimos 45 anos. Além da trilogia mencionada, Hare tratou, em suas peças recentes, da invasão ao Iraque em Stuff Happens (2004) e sobre a crise financeira de 2008 em The Power of Yes (2009). Em 1986, voltou a atuar como diretor na montagem de Rei Lear estrelada por Anthony Hopkins.

Um de seus maiores sucessos de público e crítica na última década, The Permanent Way (2004) foi elogiada por um dos maiores dramaturgos do século 20, o ganhador do Nobel Harold Pinter, que elogiou “a compaixão” do autor por seus personagens.

Morto em 2009, Pinter recebeu dois anos depois um prêmio com seu nome, o PEN Pinter, dedicado aos destaques do teatro inglês, do qual Hare foi o primeiro ganhador. Antonia Fraser, viúva do autor de A volta ao lar, declarou na ocasião que o prêmio foi concedido a Hare em virtude “de sua longa e distinta carreira, na qual nunca falhou em tratar das questões políticas em seu sentido mais amplo”.

Ao longo de sua trajetória, o dramaturgo trabalhou também com roteiros para rádio e cinema, tendo sido roteirista dos filmes As Horas (2003), estrelado por Meryl Streep, Juliane Moore e Nicole Kidman, e O Leitor (2008), com Kate Winslet, ambos do diretor Stephen Daldry, pelos quais foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.


David Hare em 5 datas

1947 Nasce em East Sussex, na Inglaterra

1968 Monta uma companhia de teatro

1990 Estreia Racing Demon

1998 Nomeado sir pela Rainha da Inglaterra

2011 Primeiro autor a ganhar o PEN Pinter

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