flip
Edições anteriores


(foto de Walter Craveiro)
Quarto dia

Nos anos 1960, a crítica literária Beatriz Sarlo deixou a Argentina disposta a conhecer Brasília, capital do país que “era a meca estética do modernismo”. “Só queria ver Brasília. Não olhei o Rio, nada. Estar em Brasília aos 20 anos de idade me marcou”, disse. Ela e a jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho participaram ontem da mesa “Turistas aprendizes” — alusão à obra de Mário de Andrade “O turista aprendiz”. Autora de uma série de diários de viagem, Alexandra Lucas Coelho lidou com temas como colonialismo e formação cultural.

Os relatos completos das atividades estão disponíveis no blog da Flip, clique aqui

Em “Encontro com David Hare”, o dramaturgo inglês tratou da herança de Margaret Thatcher na política britânica, a presença da TV americana na produção ficcional e as particularidades de se fazer teatro na Inglaterra. Hare — responsável pelo roteiro cinematográfico de “As Horas” e “ O Leitor”— apontou a necessidade de ser ter “inimigos à altura” e contou das recepções, boas e ruins, que suas peças tiveram em noites de estreia.

No palco da Tenda dos Autores, os cartunistas franceses Plantu e Riad Sattouf e o brasileiro Rafa Campos mostraram seus desenhos e conversaram sobre dores e delícias do ofício. O atentado recente à redação do Charlie Hebdo foi pano de fundo em diferentes momentos do debate. Os limites do humor, além do respeito a ideologias e crenças, também fez parte da discussão.

Reunidos sob o título “Os homens que calculavam”, dois matemáticos premiados – o brasileiro Artur Ávila e o russo Edward Frenkel – encontraram-se na Tenda dos Autores dispostos a vencer a resistência do público em torno da disciplina, e a orbitar sobre temas da matemática que não englobam apenas números, como bem ilustraram.

Investigar a questão do narcotráfico para além do noticiário policialesco é a missão que une os jornalistas Diego Enrique Osorno e o Ioan Grillo. Trabalhando especialmente com a conjuntura mexicana, os dois procuraram apresentar o tema dentro de uma perspectiva ampla, envolvendo política, economia, saúde, sistema judiciário e uma rede complexa que costura principalmente Europa, Estados Unidos e América Latina. Na mesa “Jornalismo de Guerrilha”, entraram na programação no lugar de Roberto Saviano, que enviou um vídeo ao público da Flip, exibido na Tenda.

A mesa “Desperdiçando rima” foi sobre poesia, mas desaguou em música, como não poderia deixar de ser. O encontro entre Arnaldo Antunes e Karina Buhr preencheu a Tenda dos autores com lirismo e despojamento. Por meio de ritmos e estilos variados – o construtivista de um, o extravasado do outro – arrancaram muitos risos e aplausos.

Acompanhe a transmissão ao vivo das mesas da programação principal aqui . E veja a cobertura da festa pelo Facebook , Twitter e Instagram .

FlipMais
O feminismo e a poesia estiveram lado a lado no espetáculo “Schlock! – uma performance poética”, da inglesa Hannah Silva, que levou à Casa da Cultura linguagem corporal e experimentações sonoras. Na sequência, em “O Brasil na sala de aula”, Heloisa M. Starling e Lilia M. Schwarcz se dirigiram a professores e falaram sobre escravidão e construção da identidade nacional. Na mesa “Caminhos de Mário: a dimensão antropológica na cultura”, com Alexandre Pimentel, Manoel Vieira e Maria Pereira, foram discutidas políticas públicas culturais e o olhar de Mário para o patrimônio imaterial.

No “Poesia em movimento recebe Arnaldo Antunes”, um episódio da série do Philos TV – feito com Arnaldo – foi ao ar antes de o poeta e músico subir ao palco e recitar um poema do livro “Agora aqui ninguém precisa de si”. Em “As gavetas de Mário”, Elisabete Marin Ribas, do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros da USP), falou sobre a importância que o acervo do escritor modernista teve na formação do órgão. A programação da FlipMais seguiu com o “Noites de cinema”, no qual foi exibido “Vilanova Artigas: o arquiteto e a luz”. Escrito por Laura Artigas, neta do arquiteto, e dirigido por ela e Pedro Gorski, o documentário remonta a trajetória de Artigas. Coube à Cia dos Bondrés encerrar a programação com “Instantâneos”. No espetáculo, o grupo recorreu a expressões artísticas distintas, como dança, música e teatro


Compartilhe
Compartilhe no TwitterCompartilhe no Facebook Share on Google+
English    

  Realização
  Associação Casa Azul