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(foto de Walter Craveiro)
Último dia

Criada para investigar a maneira como as pesquisas de Mário de Andrade influenciaram o curso da música popular brasileira, a mesa “Música, doce música” abriu ontem o último dia de conversas da Flip. Uma intensa discussão sobre bossa nova e a relevância ou não de Tom Jobim dominou o encontro entre o pesquisador musical José Ramos Tinhorão e o compositor e escritor Hermínio Bello de Carvalho.

Os relatos completos das atividades estão disponíveis no blog da Flip, clique aqui

Levar consciência social aos personagens e se preocupar com a forma da prosa foram os recursos apontados pelo cubano Leonardo Padura como uma maneira de os romances policiais se livrarem do estigma de obra menor. Autor do recente “O homem que amava os cachorros”, em que reconta a história do assassino do líder soviético Liev Trótski, Padura participou da mesa “De frente para o crime” com a inglesa Sophie Hannah – escolhida para dar seguimento à série de Hercule Poirot, célebre detetive criado por Agatha Christie.

O clamor de José Miguel Wisnik para que educação e cultura sejam de todos, em projeto capaz de fazer o Brasil renascer de si mesmo, “em vez de fazer de tudo para jogar a juventude pobre e mestiça no esgoto das prisões”, comoveu o público presente ontem na mesa “Conferência de encerramento: Mário de corpo inteiro”. Emocionado, o ensaísta, músico e professor de literatura brasileira foi aplaudido de pé, por muitos minutos. Antes de dar um tom político à conferência, Wisnik havia discorrido por pouco mais de uma hora sobre as dualidades e ambivalências de Mário, autor homenageado deste ano.

Tradicional encerramento da Flip, a mesa “Livro de Cabeceira” é o momento em que diferentes autores da programação principal se juntam para ler trechos de seus autores favoritos. De Guimarães Rosa a Samuel Beckett, de Flaubert a Virginia Woolf, oito escritores participaram do encontro. Respondendo à pergunta “que livro levariam para uma ilha deserta para ler e reler pelo resto da vida?”, Ayelet Waldman, Carlos Augusto Calil, Colm Tóibin, Diego Vecchio, Matilde Campilho, Marcelino Freire, Ngũgĩ wa Thiong’o e Richard Flanagan promoveram um intercâmbio de sotaques e repertórios.

Ao final da mesa, como parte da programação da Flip, um cortejo do Palmeira Imperial Maracatu saiu por Paraty -- fazendo a festa se diluir pela cidade. Foi uma bela homenagem a Mário de Andrade, que se dedicou em suas pesquisas a manifestações artísticas populares.

Veja a cobertura da festa pelo Facebook , Twitter e Instagram .

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O último dia da FlipMais concentrou-se no papel fundamental desempenhado pelos prêmios literários para a descoberta, difusão e incentivo a novos escritores em todo o Brasil. Reunidos no auditório da Casa da Cultura, a gerente de cultura do Sesc, Marcia Costa Rodrigues, o presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro), Luís Antônio Torelli e o Pierre André Ruprecht, da organização Prêmio São Paulo de Literatura, contaram casos de autores revelados em diferentes premiações e que, a partir de então, conseguiram ser publicados dentro e fora do Brasil e, em alguns casos, viver da própria escrita. "Acompanhamos a trajetória deles depois, como se fossem filhos", disse Marcia, lembrando que "filhos a gente cria para o mundo".

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